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DISCOGRAFIA

2008 | Chão
| Valentim de Carvalho, Som Livre
2007 | Lado a Lado, Mafalda Veiga e João Pedro Pais
|           Valentim de Carvalho
2004 | Coliseu de Lisboa, 5 de Outubro
| Valentim de           Carvalho (cd+dvd)
2003 | Na Alma e na Pele
| Valentim de Carvalho
2000 | Ao Vivo
| Valentim de Carvalho
1999 | Tatuagem
| Valentim de Carvalho
1996 | A Cor da Fogueira
| Strauss
1992 | Nada Se Repete
| EMI – Valentim de Carvalho
1988 | Cantar
| EMI – Valentim de Carvalho
1987 | Pássaros do Sul
| EMI – Valentim de Carvalho
 



MAFALDA VEIGA
[ Portugal ]

Ana Mafalda da Veiga Marques dos Santos nasceu, em Lisboa, no dia 24 de Dezembro de 1965. De 1974 a 1984 viveu em Badajoz. É aí que, com onze anos, começa a  tocar viola. O mestre da altura foi Pedro da Veiga, guitarrista de Nuno da Câmara Pereira.

Começou por fazer as suas primeiras composições em espanhol e inglês. Em 1983 fez a primeira canção em português: "Velho". Foi com essa canção que venceu o Festival da Canção de Silves. Apresentava-se ainda como Mafalda Santos.

O seu álbum de estreia, "Pássaros do Sul", foi editado em 1987. O disco, com produção de Manuel Faria, inclui temas como "Menino de Sua Mãe", "Restolho", "Balada de Un Soldado" e "Planície" (o primeiro single, com "Me Escape Com Mi Guitarra" no lado B). O álbum chega rapidamente a disco de prata e torna-se um grande sucesso.

Em 1988 ganha o prémio "Revelação" do jornal Se7e e o troféu "Nova Gente" para melhor cantora. É nomeada também para os prémios "Zeca Afonso".
Em Novembro de 1988 é editado o álbum "Cantar". Os temas mais divulgados deste trabalho foram "Nazaré" e "Cidade". O acordeonista Gabriel Gomes (Sétima Legião, Madredeus) participa em "Llovizna", o único tema deste disco que é cantado em espanhol.
Em 1991 é a convidada especial dos últimos espectáculos dos Trovante, em Sagres e nos Coliseus de Lisboa e Porto. O álbum "Nada Se Repete" é editado em 1992. O disco conta com a participação de Luís Represas no tema "Fragilidade" e na autoria da letra de "Prisão". Com este álbum, Mafalda Veiga ganha o Se7e de ouro para melhor disco.

Em 1993 e 1994, actua pela primeira vez em Cabo Verde (duas vezes) e em Macau.
Muda de editora, passando da EMI para a Strauss. Em 1996 é editado o disco "A Cor da Fogueira" com produção de José Sarmento. O Concerto de apresentação deste disco foi no dia 9 de Outubro no Centro Cultural de Belém. Durante a Expo-98 é uma das cantoras envolvidas no projecto "Afinidades" para o qual convidou o músico cubano Raúl Torres.

O quarto álbum, "Tatuagem", é editado em 1999 pela Popular. A produção é de Manuel Paulo Felgueiras. Um dos temas em meior destaque é "Tatuagens" com a participação de Jorge Palma. No fim de Maio e Outubro de 2000 a cantora actua duas vezes no CCB e também no Teatro Rivoli. Os concertos tiveram a direcção musical do guitarrista António Pinto. Em Dezembro de 2000 é editado o disco-duplo "Ao Vivo" gravado nos concertos do CCB e do Rivoli.
Em 2001 participa no espectáculo "Come Together" de homenagem aos Beatles. Participaram no espectáculo nomes como Rui Veloso, Silence 4, Xutos & Pontapés, Clã e Blind Zero.

No início de 2003 é lançado o disco "Na Alma e Na Pele" com produção de Rui Costa.
Em Novembro de 2003 actua no ciclo de espectáculos "A Cantora, o compositor, o estilista e o convidado dela" onde interpreta temas de Jorge Palma.
Alguns temas da cantora são incluídos em novelas da Rede Globo (Brasil).
É editado pela Quasi um livro com letras de Mafalda Veiga.
Em Maio de 2007 é editado o disco "Lado a Lado" gravado com João Pedro Pais.


"CHÃO"

Por João Gobern, Abril '08


É com ‘Estrada’, uma canção que tem por tónica a procura da felicidade, que nos propomos abrir caminho a ‘Chão’. O novo álbum de Mafalda Veiga tem uma dúzia inteira de temas inéditos e fresquinhos, com a compositora, autora e cantora a “redimir-se” dos cinco anos – desde ‘Na Alma e Na Pele’, 2003 – em que não deu “notícias”. Ou melhor: em que não mostrou aquilo em que trabalhava, mantendo, no entanto, o ritmo e o calor dos seus espectáculos e abrindo espaço a uma parceria – gravada e publicada – que deu muito que falar e ainda mais que ouvir, com João Pedro Pais, o disco ‘Lado A Lado’. Ao mesmo tempo, Mafalda foi juntando as peças para este regresso em pleno e, quando se ouve ‘Chão’, ganha-se a certeza de que a colecção de trunfos (as cantigas, nada na manga) vai dar origem a mais um triunfo claro. Claro.

Depressa perceberemos que, ao contrário do que – infelizmente – acontece em tantos discos contemporâneos, aqui cada momento tem a sua missão. O jogo de contrários é fascinante, desde o imediato ‘Abraça-me Bem’ até ao devaneio de ‘Era Uma Vez Um Pensamento Teu’. Por um lado, Mafalda passou anos a criar um estilo, a que se mantém fiel, até por perceber que os fãs, militantes como poucos, continuam a esperar que ela lhes garanta canções capazes de cruzar o privado e o global. Nada de renegar o que de muito bom ficou para trás, portanto. Mas há mudanças e novidades, há uma maturidade plena e um tom positivo que lhe alargam horizontes – e que hão-de aumentar-lhe as responsabilidades. Sem medos, que ela está cá para isso mesmo.

Mafalda não tinha a tarefa facilitada, se pensarmos no crescimento uniformemente acelerado dos seus últimos discos. Por isso mesmo, era enorme o desafio. Como é seu costume, assumiu o risco… e ganhou. ‘Chão’ estreia um novo produtor na carreira de Mafalda – depois de trabalhar com Manuel Faria, José Sarmento, Manuel Paulo e Rui Costa, convocou Miguel Ferreira (membro e fundador dos Clã) para o papel. Decisivo, apesar da linearidade das explicações de Miguel: “A Mafalda é uma cantora muito popular e com uma carreira já longa. Em casos como o dela, é preciso cuidado e toda a diferença se faz nos pormenores. Mudámos o som de bateria e, simplesmente, limpámos, aliviámos, criámos espaço para o que efectivamente tem que brilhar: canção e a voz da cantora. Fomos à procura de um som mais orgânico, despido de pesos electrónicos, que me parece aquele que mais se enquadra com o estilo de Mafalda. E que, parece-me, lhe faz mais justiça”.

Quando se ouvir (com a calma e o tempo que reclama) este ‘Chão’ fértil, perceber-se-á como, por mérito conjunto da inspiração, da transpiração (há muito trabalho, aqui), da identidade e da mudança, os 40 anos de idade e os 20 de carreira parecem abençoar Mafalda Veiga. Variado mas coerente, encantador mas vibrante, respeitador mas capaz de rupturas, mágico na forma como simultaneamente personaliza e universaliza cada questão – ou canção – este é, com vantagem, o melhor disco do percurso de Mafalda. Não é chão onde se deite a semente – neste caso, ‘Chão’ é a semente, a raiz, o caule, as folhas e a flor. É tudo. E, acreditem, vai mesmo chegar a todos.