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TITO PARIS
[ Cabo Verde ]

O espectáculo de Tito Paris baseia-se no repertório construído ao longo da sua emblemática carreira como músico, cantor, compositor e produtor musical.
Êxitos como Morna PPV, Febre di Funaná, Guilhermina, Pretinha ou Dança ma mi Criola – temas intemporais que fazem as delicias de todos – são uma constante nas suas apresentações ao vivo. Tito, a “Voz rouca do blues”, contagia os mais variados tipos de público de todas as idades, géneros e etnias. Os músicos, escolhe-os virtuosamente pintando uma sonoridade, uma mescla de sons do mundo sempre com a base da música cabo-verdiana de raiz. A sua guitarra, o piano de José Afonso, o cavaquinho de José Soares, a bateria de Zézé Ngambi ou o baixo de Manuel Paris – seu irmão que o acompanha desde sempre, trazem um sabor especial aos concertos de Tito Paris que se faz acompanhar em palco também, por instrumentos de percussão e sopro. Mornas, coladeras e funanás... Os sons de Cabo Verde pela voz daquele a quem a crítica considera o “Embaixador da música cabo-verdiana”.


Biografia

Tito Paris nasceu numa casa da música, absorveu desde menino os sons e os ritmos de Cabo Verde. O pai tocava banjo e baixo, a avó cantava mornas e coladeras, o avô, além de construtor de instrumentos musicais, tocava violino.

No porto do Mindelo (na sua ilha natal de S. Vicente) cruzavam-se também outras sonoridades trazidas dos navios que ali aportavam, que Tito ainda menino ia assimilando e fazendo jogos mentais de sons, até que aos nove anos se estreia como profissional. Uma estreia cedo mas que evidencia já o engenho e arte que quis sair de casa e mostrar-se ao mundo.

Começa por tocar violão, depois baixo, bateria, e outros instrumentos incluindo o cavaquinho cabo-verdiano. Entende a linguagem dos instrumentos, escuta-lhes a alma e começa a compor e a colocar as suas palavras nas canções.

O seu talento chama a atenção da voz de Cabo Verde. Bana convida-o a integrar a sua banda em 1982. Com um saber de experiências feito, edita em 1985 o seu primeiro álbum a solo, “Fidjo Maguado” (“Filho Magoado”), exclusivamente instrumental. Neste álbum Tito assume-se como produtor e toca todos os instrumentos. “Fidjo Maguado” salienta o talento do músico que todos já reconhecia. A música de Tito incendeia as noites de Lisboa, um dos seus concertos é gravado em “bootleg” tendo vendido mais de 150.000 cópias. Este registo será, em 2001, masterizado e editado em CD.

As suas actuações são destacadas pela imprensa que refere, “excelente o modo como o guitarrista e cantor comunicou com opúblico, incendiando os ânimos, não só através da música, como também pela intuição da estrutura e do ritmo que um espectáculo deve ter”.

Em meados da década de 1990 Tito e a sua banda gravam “Dança ma mi criola” que se tornará num dos seus temas emblemáticos, embalado neste sucesso grava em 1996 “Graça de tchega”e em 1998 “Ao vivo no B. Leza”.

A crítica afirma: “Com Tito Paris a música de Cabo Verde torna-se universal sem sucumbir à descaracterização. Instrumentalmente, o grupo demonstrou uma segurança a toda a prova”, noutro jornal qualifica-se as actuações de “vertiginosas”.

David Byrne inclui-o na sua colectânea “Afropea”, a crítica francesa salienta a sua vo dez “rara suavidade” e “guitarrista experimentado”.

Tito grava um álbum de dois em dois anos, faz concertos em Portugal e no mundo onde é cada vez mais reconhecido como o grande embaixador da música de Cabo Verde. O menino do Mindelo é agora o músico de Cabo Verde.

O seu álbum “Guilhermina”, editado pela Universal Music em 2002, recebe entusiásticas críticas tanto em Cabo Verde, como em Portugal e além mundo. O público adere a um som que se reconhece genialmente crioulo, na sua tradição e raízes, mistura influências Angolanas ou do norte de Portugal, de Moçambique ou evoca o samba do Brasil.

Tal como ao porto do Mindelo faziam escala os barcos de todo mundo com os seus ritmos e sonoridades, a música de Tito está profundamente enraizada na tradição musical cabo-verdiana mas respirando outras sonoridades venham elas do outro lado do Atlântico ou do hemisfério Norte, sempre arrebatada pela saudade insular que se sente quando interpreta um funaná ou uma coladera mas também com ânsia de um som novo, da descoberta de novas harmonias.

São estes encontros que se reflectem no seu trabalho, “Tito Paris ao vivo na Aula Magna”, em que além da magia do registo de Tito e a sua banda ao vivo, surgem ainda três temas em estúdio que se transforma em autêntico laboratório de alquimia musical, onde Tito desenvolve toda a sua arte com suprema mestria.

Foi um dos convidados no espectáculo de Mariza no Royal Albert Hall, em Novembro de 2006, e partilhou como público algum do seu novo material. A imprensa, mais uma vez, não se poupou a elogiá-lo: “best of all was the alto-brief appearance by the dapper Cape Verdean Tito Paris, who joined Mariza for a little morna duet, followed by at stunning version of Sodade”– The Times, UK.