• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • |
|
 |
| |
| |
|
Nota de Apresentação
A dinâmica cultural inequivocamente evidenciada pelo Município de Évora sugeriu-nos a sua inclusão no circuito europeu dos festivais de música folk que, em tempos de verão, celebram através das músicas de raíz o diálogo secular entre os respectivos povos.
Tendo como horizonte de referência a paisagem alentejana, fonte inesgotável para as músicas de tradição portuguesa em confronto inter-cultural com a modernidade, são cada vez mais as localidades que, todos os anos, inscrevem a sua vocação cultural universalista nas rotas da música folk: a viagem, ao sabor dos ventos e das brisas musicais das eurofonias, pode levar-nos até Vigo e La Coruña, Gijon e Santander, Lorient e Brest, Londres e Edinburg, Belfast e Dublin... ou até às mais remotas paragens escandinavas.
Num tempo em que cada vez mais as jovens gerações reclamam para si um irrecusável direito à diferença, as músicas da modernidade enraizadas nos valores/cânones tradicionais (em diálogo com as correntes, das vanguardas do século XX e das novas músicas populares massificadas) têm vindo a constituir um dos mais poderosos dinamizadores dessa identidade cultural e um a todos os títulos surpreendente motivo de reunião e de convívio colectivo.
As músicas de raiz tradicional e popular têm vindo a constituir uma referência cultural fundamental dos processos de reafirmação da identidade dos povos, entendida como elemento indispensável para o seu enraizamento e autonomia expressiva. E, por outro lado, como garantia de preservação de um inefável direito à diferença no complexo processo de interacções e de diálogos culturais que marcam a realidade dos nossos dias.
Numa Europa tendencialmente sensibilizada para a necessidade de salvaguarda e de valorização da sua multiplicidade histórica, social e cultural, as tradições musicais das suas várias e diversificadas regiões têm vindo a merecer uma atenção muito especial por parte de todas as autoridades/entidades oficiais e privadas. De tal modo que, nos dias que correm, o elemento cultural constitui uma preocupação essencial da vida comunitária.
Porque na cultura os horizontes são cada vez mais amplos e interactivos, as músicas tradicionais proporcionam um melhor e mais profundo conhecimento mútuo dos povos, sendo mesmo uma das formas de intercâmbio cultural mais privilegiadas pelas acções de investimento, começando a diluir-se na praxis quotidiana a separação entre a arte, entre a cultura e o lazer.
Mais do que avançar com a integração de toda uma série de concertos num qualquer programa de acção cultural, importará incluir uma “agenda cultural”, com carácter de regularidade, realizações que, pela sua natureza, conciliem de forma dinâmica e reflexiva a Cultura com o lazer e que fiquem a testemunhar, em termos de política cultural autárquica, uma vontade inequívoca de diálogo inter-cultural: a terra em diálogo com as terras, numa comunhão de culturas com raízes comuns.
Uma Aposta na Regularidade
Neste contexto, a nossa proposta aponta para a criação de um festival folk em Évora, de desejável realização regular de molde a criar/consolidar um público de grande heterogeneidade etária que cada vez mais tem vindo a reclamar e a acarinhar este tipo de iniciativas.
O investimento cultural tem vindo a exigir a concretização das acções-alvo de forma contínua e regular, condição fundamental para a criação e fixação de públicos aderentes e para a desejável rentabilização dos meios financeiros disponibilizados para os respectivos eventos.
Com efeito, só uma aposta decidida na continuidade e na regularidade das organizações de carácter/natureza cultural será realmente possível enquadrar, de forma adequada e produtiva, os esforços de investimentos autárquicos nesta área de especial relevância. Abundam, infelizmente os exemplos de sucesso de eventos que se foram impondo de forma crescente ao longo das sucessivas realizações até atingirem a importância e a projecção que hoje amplamente se lhes reconhece. E o “segredo” reside, em grande parte, na política de regularidade da respectiva realização.
Pressupostos e Objectivos
A realização do evento proposto inspira-se num conceito simples, em torno do qual se procurará suscitar e gerar dinâmicas culturais adequadas à vida cultural específica de cada autarquia envolvida.
Na verdade, procurar-se-á tanto quanto possível fornecer algo mais do que uma determinada proposta musical, procurando-se enquadrar a expressão musical com a realização de actividades paralelas conexas.
Assim, cada acção constituiria de per si um conjunto estimulante susceptível de envolver e de interessar um público mais vasto e diversificado graças a uma abordagem multidisciplinar. Com efeito, o conceito fundamental comportaria:
a) actividades paralelas (exposições, debates, colóquios, conferências, workshops e outros), envolvendo logística local e, tanto quanto possível, o empenhamento directo de agentes culturais da localidade/região);
b) concertos propriamente ditos (integrando o programa principal da acção
proposta). |
|